8.7.19

Caminhos

É de caminhos que hoje falo, os caminhos que hoje sonho. Caminhos: os do deserto que me trouxeram aqui, os do deserto que daqui me levaram, os da floresta, do mar, da savana, das cidades. Quais deles os piores, ou melhores?  Como definir um caminho: é aquilo por onde avançamos, por onde recuamos, que nos leva ou nos traz? Se tudo isso são caminhos, avançar, recuar são a mesma coisa? Avançamos sempre, qualquer que seja a direcção?

Imagina um prado, uma baía, uma longa vereda na savana. Sabes que por ali passaram outros, mas agora és o único. Como se os caminhos fossem um corpo, não é? Como se essa vereda fosse uma linha que começa ali em baixo e acaba no queixo; como se a savana fosse o teu ventre; como se a baía fossem esses teus olhos azuis de tanto amar, verdes de tanto andar.

Uma orquídea; não percebo nada de flores; uma rosa, um cravo, um girassol. De que percebo, afinal? De nada. Enfim, sim: percebo de caminhos. Os que me levaram a ti, os que de ti me levaram.

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