14.2.20

Do avesso

A doença vira um gajo do avesso. As costuras belas e regulares mostram a sua natureza interior e parecem-se com cicatrizes mal tratadas; as costuras das bainhas, até ali invisíveis, ficam a ver-se (e não são nada bonitas); e por aí fora: a tosse é de tal forma que se não tenho cuidado qualquer dia apanho os pulmões no céu da boca, a hiper-sensibilidade faz-me pensar que dormir em cima de lixa deve ser mais agradável do que nos lençóis. Nada apetece - nem estar deitado, nem sentado, nem de pé. A cama fica por fazer, a loiça por lavar... As lides domésticas (pelo menos aquelas de que gosto. As outras que se lixem) revelam-nos a sua faceta sisifiana. Há dois dias que não faço a barba. A fome desaparece (nem tudo é mau, vá lá...)

Só quando se está doente se pode compreender os hipocondríacos.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.