11.5.04

Kill Him

Li recentemente uma crítica de Kill Bill que me fez pensar, irremediavelmente e com sentimentos mistos, no que diziam os africanos dos filmes de karate et das cowboyadas que por lá passavam. Ir ao cinema que, em Quelimane, acolhia os nosso empregados era um prazer sem fim: "Olha para trás!", "Cuidado!" gritavam, querendo avisar o bom que o mau estava a chegar. Um empregado nosso ia regularmente ver os filmes duas, três vezes. Quando lhe perguntei porquê, respondeu-me que não compreendia como é que os actores conseguiam fazer sempre a mesma coisa sem se enganar (Moçambique tinha - e tem ainda - uma enorme tradição e experiência de teatro...). A minha reacção a essa crítica foi, como disse ambígua. Por um lado percebi o fascínio, "émerveillement" que o crítico experimentou e quis transmitir; por outro pareceu-me insuficiente como base para os ditirambos dirigidos ao filme.

Estou agora a chegar do filme, e ainda é cedo para grandes tiradas - mesmo assumindo, o que é pouco provável, que as quisesse ou pudesse fazer. Mas devo reconhecer ao dito crítico plena razão: a segunda parte do filme (muito mais que a primeira, de que não gostei por aí além), é uma simples maravilha. O personagem de Uma Thurmann deixou de ser quase grotesca para exigir - os ingleses diriam "command" - uma total identificação com ela; e mesmo o facínora do Bill se nos torna simpático. Identificações destas não via desde os filmes do Cine (se não me engano) Chuabo em Quelimane - e não as experimentava eu próprio há muito, muito tempo.

Troco a primeira parte toda do filme pelos primeiros quinze minutos da segunda; e não trocaria esta por muitos filmes.

PS - e PCs que vejam neste post sinais arrasadores de racismo, ou indícios de uma colonização que não deu educação aos africanos e outras coisas semelhantes podem ir dar uma volta ao bilhar grande, ou pentear macacos...

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