4.5.05

Porto

Imagino que um dos posts abaixo vai revoltar os meus amigos portuenses, e desde já quero aqui deixar uma grande e inequívoca declaração de amor pela cidade do Porto - afinal, não é preciso um lugar ser civilizado para se gostar dele, para ser amável. Eu gosto, por exemplo, muito do Burundi e do ex-Zaire e são dois países que estão longe, muito mais longe do que o Porto, da civilização.

Há coisas que eu adoro no Porto. Uma delas é a política social. Recentemente apanhei um autocarro do Aeroporto Sá Carneiro - terna ideia, esta, dar a um aeroporto o nome de uma pessoa que morreu num desastre de avião - e reparei que no Porto os atrasados mentais, em vez de estarem fechados em instituições psiquiátricas ou de vadiar, selvaticamente como em Lisboa, pelas ruas da cidade, conduzem autocarros. Acho a política excelente, porque assim andam uniformizados, e a obrigação de ir trabalhar todos os dias dá-lhes um aspecto quase normal. Claro que depois continuam incapazes de distinguir um autocarro de um automóvel de corridas, mas isso é um pormenor a que só uma mente doentia como a dos lisboetas (que ainda há bem pouco tempo tinham a mesma política, note-se) atribui importância.

No regresso apanhei a mesma carreira, mas com outro chauffeur, e a coisa repetiu-se: um atrasado mental a conduzir um autocarro cheio de passageiros, a fazer slalom nas faixas da auto-estrada (o que só faz jus à fama de poupados que os portuenses têm, porque assim pelo menos utilizava todas as faixas a que tinha direito) e a provocar uma animada e boa disposição entre os passageiros, alguns dos quais se precipitaram para as canetas e blocos para, suponho, ali deixarem escrito o testamento. Penso que ambos os chauffeurs tinham amigos cirurgiões, especialistas em operações às cervicais, porque as travagens e acelerações eram tantas e tão bruscas que eles só podiam estar a colaborar para o bem estar material dos seus amigos.

Também gostei imenso do Aeroporto - sobretudo da área das partidas - que deixei com um doce suspiro de saudades antecipadas.

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