25.10.08

¡No pasarán!

«Uma parede de aço desceu sobre a cidade».

A opinião pública começa, finalmente, finalmente, a ser alertada para o inqualificável aburdo que é a ampliação do terminal de contentores de Alcântara.

Neste artigo, António Costa ("António Costa: novo nó de Alcântara é «positivo»") faz afirmações que não são verdade:

- Não se trata de duplicar mas de triplicar. Não é anódino.
- Não é um "rearranjo do terminal existente". Isto não é propriamente um "rearranjo": "A intervenção Portuária, por sua vez, consiste na ampliação, reorganização e reapetrechamento do terminal de contentores de Alcântara com vista a atingir uma capacidade de um milhão de TEUs (um TEU equivale a um contentor de 20 pés) por ano [actualmente tem 350,000].

A intervenção integra ainda o melhoramento das acessibilidades marítimas, a criação de uma zona de acostagem e operação de barcaças, a construção de uma ligação ferroviária desnivelada entre o terminal e a Linha de Cintura e um feixe de mercadorias (doca seca), rondando o investimento os 348,4 milhões de euros."


E não fala de outras: alguém nos diz o que vai acontecer às embarcações de recreio que estão amarradas na Doca do Espanhol (ou de Alcântara, para os leigos)?


(Via Duro das Lamentações).

3 comentários:

  1. Meu Caro Luís,
    também eu temo muito por esta visão... encaixotada da Cidade.
    Abraço

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  2. Luís, vejo que se fala aí numa zona de acostagem e operação de barcaças. E ontem, no jornal das nove, alguém que saiu em defesa deste plano governamental dizia que os contentores não iam atravessar a cidade, mas ser transportados, precisamente em barcaças, para um ponto de acesso às auto-estradas, presumo que Tejo acima. Mas se é por barcaças, e barcaças por barcaças, cada vez percebo menos por que razão não se coloca o terminal na outra banda do rio.

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  3. Claro, Luísa, em toda a razão.

    O pior é que o movimento das barcaças (e os dos navios do SSS - Short Sea Shipping, que a APL também nunca menciona por causa do argumento "a maioria do tráfico destina-se à margem norte") terá que ser feito na Doca do Espanhol.

    Ou seja: vamos transformar uma área que tem magníficas qualidades (uma das quais, e não a menor, é que são investimentos feitos por privados) para determinadas ocupações (lazer, recreio, cruzeiros) - num medíocre, caro, inestético e insuficiente terminal de contentores (não garanto a 100%, mas se bem me lembro as previsões da APL apontam para uma saturação do novo terminal dentro de 15 ou 20 anos).

    Na realidade, o muro de contentores é muito mais do que um muro.

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.