20.5.11

Wallilabou Bay

O sol está a pôr-se, e ilumina muito obliquamente tudo o que encontra no caminho: o pontão e a pequena casota na sua extremidade, o lado norte da baía, abrupto e coberto de árvores, os arcos do restaurante, o S/Y "BALICIOS", embarcação da qual sou o feliz skipper.

O vento caiu competamente e o céu está ligeiramente encoberto: o horizonte não é uma divisão entre mar e céu, mas uma simples linha de mudança de cor: de qualquer forma as nuvens reflectem-se na água.

Em breve será noite: nos trópicos tudo é abrupto - o calor, a paisagem, as pessoas e os crepuscúlos. A música - reggae, claro - está por trás de mim e parece explicar toda a cena: um pôr-do-sol especial porque proibido (não podemos vir a Wallilabou Bay) e último, mar que se toma por céu e céu que se deixa levar porque no fundo lhe é indiferente, a paisagem découpée pelos arcos do restaurante, a imobilidade. Ao longe, muito perto do horizonte (mas de que lado, o de cima ou o de baixo?) um bote a remos e um veleiro com o pano arreado.

Os únicos movimentos são o da música, o da frescura do rhum punch, metronómico, e os remos de um outro bote, no meio da baía, que não percebo bem para onde vai, ou porquê.

Parece-me que o restaurante flutua, ele também, nesta mistura de música, rhum punch, calor e vagar de fim de dia perfeitos (o fim e o dia). Pergunto-me: suportarias o peso esmagador de tanta beleza, se estivesses aqui?

(Sei a resposta, claro. Se não soubesse não teria formulado a pergunta.)

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