19.9.13

Diário de Bordos - Bocas del Toro, Panamá, 18-09-2013

Há coisas em Bocas del Toro que me dizem que estou no Panamá; mas são poucas. A chuva; o mau serviço, claro - não mudei de planeta, mas apesar de tudo é melhor do que em qualquer outro sítio onde tenha estado.

Hoje já vi duas ou três pessoas sorrir; e os water taxis, as águas transparentes, a atmosfera de cidade de fronteira. Não há ninguém que não esteja de passagem - mesmo que essa passagem dure há anos e anos.

Gosto particularmente dos water taxis, lanchas de todos os tamanhos e feitios que por um dólar, dois ou cinco (de Red Frog) nos levam a todo o lado, nesta paisagem marítima - aqui é a terra que é estranha, está de fora. O elemento primordial é o mar-.

Sobretudo à noite, eles conhecem isto como as palmas das mãos e aceleram direitos àquilo que nos parece uma barreira de mangal, na qual no último minuto se abre uma passagem minúscula, invisível; apesar de lá termos passado durante o dia várias vezes. Mas já durante o dia era estreito e mágico. À noite é mágico, estreito e invisível.

Dashing in the mangroves. Raramente utilizo o inglês, mas não vejo outro termo, seja em português seja em francês, para exprimir o que aqui vivo.

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Onde sim mudei de planeta foi no que respeita à marina. Voltei à normalidade, após três semanas em Shelter Bay.