30.12.13

Diário de Bordos - Mindelo, Cabo Verde, 30-12-2013

O que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Esta travessia começou num barco soberbo e montes de atraso; passei-me um bilhete de desembarque em Las Palmas - pela primeira e espero que última vez da minha vida - e embarquei logo a seguir num barco que estava de saída.

Não é bem um barco, é um tupperware, mas anda bem. O armador e skipper é um marinheiro de marina, que quando é simpático é adorável mas que nem sempre é simpático e adorável. Uma parte de mim sabe que estou a pagar a magnífica travessia de 2012 no D. H.; a outra que o tempo de mudar de vida chegou, ponto. Felizmente a vida nova está à vista. Tem montes de nomes: chama-se B., HS, Make Fast Yachting and Events, Palma de Maiorca, Antigua, estabilidade, etc.

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O meu pai dizia-me para nunca ir a Cabo Verde, que não sairia. Tinha razão: pelo menos o Mindelo é fascinante, intrigante, interessante, apaixonante. Ontem foi dia de chegada e a tripulação decidiu fazer uma incursão nocturna pela cidade. Fomos ao Café Lisboa e a outros sítios que a memória, por razões que não compreendo, não registou. É a mais europeia daqs cidades africanas que conheço: tem o bom de umas e das outras, e não tem os defeitos.

Vamos cá passar o fim do ano e saímos no dia 1. Uma boa maneira de acabar um ano difícil e começar um promissor.