26.4.14

Diário de Bordos - Cidade do Panamá, Panamá, 26-04-2014

Pensa-se em Panamá e sonha-se com uma cidade entre dois mares, dois continentes, dois hemisférios, duas culturas(muitas mais, na verdade - a construção do Canal deixou traços); vive-se em Panamá e pensa-se que se está num pesadelo de tráfico, má-educação, péssimo serviço (quando o há), sujidade, ausência de passeios, chuva permanente.

Panamá é um sonho e um pesadelo, com nada no meio.

Passeio pelo Casco Antiguo, onde a cidade renasceu 1673 de um ataque de piratas (Henri Morgan). Uma espécie de Bairro Alto com metade das casas ainda a cair e a outra metade refeita, linda, vibrante. Restaurantes modernos, cosmopolitas, bonitos à porta dos quais uma senhora vende cigarros à unidade. Apartamentos horríveis, pequenos, sujos, atravancados, de portas abertas para a rua com toda a família a ver televisão ou a jantar à vista dos passantes ao lado de um prédio acabado de ser reabilitado, e cujas rendas serão provavelmente mais elevadas do que o rendimento anual das pessoas todas da rua.

A mistura dos estilos arquitectónicos é vertiginosa: espanhol, inglês, francês, art nouveau, americano; igrejas, o palácio presidencial (o qual fecha todo um quarteirão, ou se é presidente ou não se é nada).

Do mar, a cidade vai crescendo em altura para leste: no Casco Antiguo os prédios têm dois ou três andares, na Punta Paitilla trinta ou quarenta (mas a maioria dos apartamentos tem as luzes apagadas à noite. São investimentos, não casas).