27.5.14

De novo Lisboa

De novo te percorro, Lisboa, te ando e te fodo. E de novo tu ris e foges e te dás, mas nunca toda. Nunca toda te dás, mas sempre toda és.

Escondes-te e fodes e gozas por partes: o que hoje és amanhã não foste, o que ontem foste só amanhã serás. És uma porra, Lisboa; perto do fim.  Não me importo. Reencontrar-te-ei deitada e viva, alerta e trocista, gozona e cona aberta para quem sabe, fechada e fechada para quem não.

Afogas-me Lisboa em ginja e ideias, em mulheres e ruas, em projectos e piratas; eu afogo-me em ti como se não houvesse amanhã, como se não houvesse ontem, como se não houvesse eu, como se não houvesse nada mais se não tu e o mundo. Porque não há nada mais se não tu e o mundo, Lisboa: tu és o mundo e o mundo se pudesse seria tu.

Afogas-me, Lisboa; e fazes-me viver. Na morte a vida se faz, da morte se refaz. E tu de sempre renasces, para sempre.