14.10.14

Venenos, espelhos

De espelhos percebo pouco. Mal olho para eles. De venenos gosto e sei. Agrada-me a ideia de morrer devagar. Adiar a morte.  Morrer de viver. Não há veneno como a vida. É o melhor deles todos, o mais eficaz.

Um corpo feminino é um veneno para o qual há antídotos. Para uma mente feminina não. Por mente feminina entendo célere, agreste, cáustica,  independente,  aguda, irónica, autónoma.

Um corpo feminino é bonito quando é amado ou ignorado pela mente que o governa. Um corpo feminino que se pensa e vê é um veneno.  E o antídoto não é uma mente, é a distância.

É difícil mas necessário aprender a distinguir venenos.