24.12.14

Diário de Bordos - Cole Bay, St, Maarten, Antilhas Holandesas, 24-12-2014

Estou tão cansado que nem forças tenho para beber o rum punch que o Matthieu sabe, finalmente, preparar como eu gosto.

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Hoje o dia começou com as manobras, como estava previsto. Ao fim de duas horas e meia o director da empresa pediu-me para ir ao escritório. "Preciso de falar contigo. Podes vir ao escritório, por favor?"

Já não faço manobras há algum tempo. As primeiras não foram tão fluidas e bonitas e limpas como eu gosto de as fazer. Não estava muito confiante.

Era para me dar mais trabalho. Vou às BVI buscar um barco, trazê-lo para aqui, embarcar com clientes, levá-los às BVI... Enfim, trabalho até dia 2 de Janeiro. Ou seja: se passar mais esta prova "A stew é brasileira; é uma chata. "Não tens camarote para dormir". "O salário é baixo" (isso já sabia. Mas como por enquanto não sei quanto ganho pouco me preocupa). "O barco está uma merda".

No fundo é mais um exame. "A minha função na empresa é elevar o nível".

Não é difícil. O nível da empresa é baixo. É uma empresa grande. Tão grande que posso sonhar com um trabalho em terra um dia. Quero deixar o mar, mas não completamente. Como uma namorada de quem nos tornamos amigos.

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Gosto do que faço. É inegável, e é uma sorte, uma dádiva. Hoje, depois das manobras, passei o dia a fazer manutenção: de mudar lâmpadas a mudar fogões, apertar parafusos, fazer check-ups a barcos, envergar velas e ensinar locais não parei.

Nunca serei rico: interesso-me mais pelo que faço do que pelo que recebo.

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Vai ser um Natal solit+ario e feliz. Que belíssima combinação.