10.3.15

Diário de Bordos - St. Augustine, Florida, Estados Unidos, 10-03-2015

É indesmentível que turismo remete para tours, voltas, passeios, andar: máquinas fotográficas, cartas, calor, curiosidade fingida, discussões com o cônjuge e respectivo mau humor à mão. Não alinho nisso. Sou um péssimo turista.

Prefiro de longe sentar-me num bar, ver a vida passar por mim e perguntar-me como seria se aqui (ou ali) vivesse. Provavelmente tão chato aqui como ali ou acolá. Não sei.

Graças à minha amiga M., e seguindo uma sugestão da lindíssima empregada do bar onde me encontro (JP Henley's - a senhora tem um boné e um sorriso como a Sam do They All Laughed, ) tenho um bilhete num comboio da Amtrak até Fort Lauderdale. Já só me fica a faltar andar num Greyhound. mas isso não vai decerto tardar.

E tenho um destino: vou para Cuba, se nada me distrair entretanto.

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Terei de me desfazer dos livros, provavelmente. Mandá-los para Portugal custa o preço de os comprar ou quase.

Que absurdo! E quão difícil vai ser. Acho que tenho de deixar já uma encomenda a uma das minhas livreiras favoritas, a Joana da Little International Bookstore: os livros vêm até mim, como a vida no pub ou a paisagem no comboio.

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Há muito tempo que ando para ir a Cuba. Agora estou perto, tenho tempo... Seria estúpido esperar pela próxima oportunidade.

Rum, charutos e mulheres, acaba alguém de me dizer. Será? E barcos, também: ficar lá a trabalhar até Belize se confirmar (ou infirmar) parece-me um bom plano.

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Assusta-me voltar a Portugal. Os você (confesso que não sei porque me incomoda tanto. Parece-me uma paneleirice que não merece sequer um alçar de sobrolho, mas enfim), o tempo que parece não existir, a burocracia e respectiva indiferença... Não sei. Gosto de Portugal, mas a perspectiva de ser marciano no meu país assusta-me um bocadinho.

Para quê ser marciano quando posso ser um simples estrangeiro?