9.4.15

Diário de Bordos - S. Luís, Maranhão, Brasil, 08-04-2015 / II

Um dia tranquilo que acaba tranquilamente tem vários méritos. Um deles, e não o menor, é ser harmonioso. Mérito iniludível, simpático, sedutor e anestesiante.

Não fiz tudo o que queria fazer: a lista era, reconheçamos, extenuante. Falta-me ir ao Baptista beber uma cachaça. Não vou. Está a chover, teria de mudar de roupa, há montes de cachaça gratuita no Frank (se bem de longe não tão boas como as dele. E o preço não é um argumento: não vou aqui revelá-los porque se não amanhã vai vir charters do mundo inteiro, mas não é por eles que um viajante teso não pode degustar uma excelente cachaça) e, de qualquer forma, a vontade de chatear a diabetes é fraca. Consequência sem dúvida da harmonia do dia. Nada de violências.

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Quando me fui embora ofereci a minha bicicleta ao M. o jovem empregado da Poeme-se. Agradeceu-me comovido. Quando lá fui na segunda-feira o Ribas perguntou-me o que havia de fazer com a burra. Fiquei surpreendido. Pensava que o jovem a tinha.

Hoje explicou-me que não: quer uma de estrada. Mais uma coisa para a lista: vender a bicicleta. E eu que vinha aqui para descansar e ver os amigos.

Coisas que fiz, forçoso é reconhecer. E continuo a fazer.

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A tripulação para a travessia está composta, se todos comparecerem: dois franceses, um polaco, um americano, eu e - assim deus e os poderes que são queiram - um português que há muito tento ter ao meu lado numa viagem destas.

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V ouao Baptista. Prefiro arrepender-me do que faço, sobretudo quando não há razões nenhumas para me arrepender.