26.5.15

Da cor da terra

Vá, rapariga, esparrama-te por essa cama abaixo. Abre as pernas e deixa cair as mamas uma para cada lado. Não digas nada: digas o que disseres não acredito.

Uma inglesa chamava a isto a crucifixacão. Eu também, às vezes. Outras digo Vamos sacrificar a Vénus, ou a Príapo. Mas isso é só quando me apetece ser pedante, antiquado, chato. Se não digo Vamos foder-nos.

Esparrama-te e ouve o Buena Vista Social Club, bebe um rum, prepara-te.

Isto do desejo é uma coisa complicada, parece um fantasma: está sempre lá e quando o vais procurar desaparece. Como os gatos: nunca respondem quando os chamamos e depois queres estar sozinho aparece-te um, como se não fosse dali.

Acendi a lâmpada a petróleo. Não se vê nada, eu sei, mas o romantismo não é para aqui chamado, descansa. É porque gosto da luz alaranjada, da ideia que aquilo deixa um traço negro se for demasiado forte, da ideia - sobretudo - que é finita. Fica bem com a tua pele, tão clara. Parece que não viste o sol, ou que estás assombrada. Não te preocupes.  Vou dançar-te na pele até a deixar da cor da terra.