6.6.15

Diário de Bordos - Isla san Andrés, Colômbia, 05-06-2015 / II

A maioria dos generosos e tolerantes leitores deste blogue pensa - provavelmente e decerto cheia de razão - que isto não é uma vida. Um gajo que não tem casa, não tem trabalho - e ainda menos salário - fixos, que nem sobre o passado pode ter certezas (quanto mais sobre o presente ou o futuro) não tem uma vida.

Talvez. Para mim não é uma, é a vida. Ignoro como será quando tiver de a mudar, mas não será amanhã e deixo esse problema para depois de amanhã.

Hoje começou indescritivelmente mal. Uma espécie de nó górdio cum circo cum frustração e desespero. A tarde acaba radiosa e límpida, como se alguém tivesse pegado numa varinha de condão e pensado que tudo deve ter um fim, seja pesadelo, sonho ou obstinação.

Não conto todos os pormenores agora: vou saboreá-los e reflectir sobre eles um a um. Aquilo que parecia não ter fim afinal tem.

Na ausência de grandes surpresas largo de San Andrés terça ou quarta-feiras.

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Invejo as pessoas que têm dias previsíveis e objectivos complicados. Eu tenho o oposto: dias imprevisíveis e objectivos simples.

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Depois de jantar vou ao café beber um mojito: preciso de mudar de sítio, de bebida, de dia. San Andrés tem uma noite desinteressante, banal. Talvez todas o sejam. Mas um dia que começou tão mal e tão bem acabou merece uma boa dose de banalidade.