14.2.16

Diário de Bordos - Palma de Mallorca, Baleares, Espanha, 14-02-2016

Estou em Palma, com uma bicicleta há quase duas semanas. Para os ciclistas há coisas estranhas nesta cidade. Por exemplo: as pessoas não andam nas ciclovias. Andam nos passeios e deixam as ciclovias para as bicicletas. Já o oposto não é verdade: toda a gente acha normal que as bicicletas circulem pelos passeios. É banal, por exemplo, pedir uma informação e responderem-nos "vais por ali, viras à esquerda - mas atenção, é contra-mão. Tens de ir pelo passeio" - ... Outra coisa da qual se sente a falta, horrivelmente: as buzinadelas. Não se houve uma, seja por que razão for. Hoje por exemplo entrei por engano numa estrada com três faixas onde os automóveis andam depressa e ninguém buzinou. Deixaram-me ir para a direita calmamente. Também não há automóveis estacionados no passeio. Suponho que os condutores de Palma vêm de outro planeta, um planeta diferente dos de Lisboa.

Deus sabe que eu quero voltar para Portugal. Mas seria tão bom se durante esta curta ausência um anjo descesse sobre a cabeça dos nossos automobilistas; ou uma pomba, vá. E lhes instilasse meia dúzia de regras de civilização.

Claro que também se poderia esperar que a polícia fizesse o seu trabalho. Mas isso seria pedir o impossível. Temos mais probabilidades de sucesso recorrendo a anjos, pombas e milagres.

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Dizem os médicos que um bom diagnóstico é metade da cura. Ou mais, não me lembro do pormenor. Infelizmente um bom diagnóstico talvez seja necessário, mas não suficiente. Ou então é o médico que não serve. Vá saber-se.

Entre o diagnóstico e a cura há um abismo, essa é que é essa. E nem todos os médicos o conseguem saltar.