6.2.16

Diário de Bordos - Palma de Mallorca, Baleares, Espanha, 06-02-2016 / II

Não percebo de onde vem esta porra desta barra sobre os cookies. Parece que é a mão protectora da comunidade europeia. Se fossem bater punhetas a grilos desperdiçariam menos tempo com inutilidades.

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A única maneira eficaz que conheço para me ver livre desta porcaria é transpirar selvaticamente e depois tomar um duche. Faltavam-me cobertores - só tinha o edredon da cama, debaixo do qual tinha tanto frio como se estivesse em cima dele -. Agora fui buscar duas mantas a uma cama vazia e parece-me que estou a caminho da cura. Dois dias de cama! Que desperdício.

Amanhã é o último dia inteiro de M. em Palma e ficaria desgostoso se ela tivesse de o passar com um deficiente. Isto é, ainda mais deficiente do que sou.

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A tripulação deve estar a ver ou a preparar-se para ver o rugby. Teria gostado de assistir a um jogo com um especialista, apesar de ainda me lembrar do Super Bowl que vi em Antígua com o C. Retive uma regra ou duas, das dezenas que ele explicou; mas foi divertido.

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Claro que a cura vem do aumento de temperatura corporal, não da transpiração. Esta merda deste vírus não aguenta um bocadinho de calor.

E ainda há quem não goste dos trópicos.

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Comprei um blusão nos saldos. Imagino como estaria se não o tivesse comprado. Há muito tempo que não gasto setenta e dois euros tão bem gastos.

É leve e não vai ocupar muito espaço no saco. A ver quanto tempo dura.

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Lá fora Palma vive e respira e eu aqui a tentar transpirar tudo o que posso. Pode ser que funcione e que não venham hóspedes para aquele quarto. Pelo menos calor já tenho, finalmente.

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Trato de um barco e M. trata de mim. Não lhe invejo a sorte. Ao menos o S. B. não reclama nem se queixa ou explode.

Espera pacientemente que o electrónico lá vá para levar o plotter e que eu traga a adriça da grande e impermeabilize a vigia. Não tem febre nem acessos de mau humor.

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Já estive doente em Palma mas não quero sequer pensar nisso. Da outra vez fui parar ao hospital com uma intoxicação alimentar e uma crise de Meunière completamente desatinada. Foi um horror.

Desta não é comparável, graças a Deus.

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Esta hipersensibilidade febril ajuda-me pelo menos a ver a quantidade de coisas que todos os dias me toca na pele. "Tens uma pele de elefante", dizia-me S., a pessoa que melhor me conhece neste mundo e arredores.

Referia-se a outra pele, claro; mas não me importo nada de a ter nesta também.

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Comprei um livro do Browne em espanhol. Vou confrontar de novo outro dos meus preconceitos: do barroco só aproveita a música.

A tradução pareceu-me boa. Pode ser que um dia consiga fazer a mesma compra em português.

(E que esse maldito acordo vá para o inferno).