7.2.16

Diário de Bordos - Palma de Mallorca, Baleares, Espanha, 07-02-2016 / II

A Jaime III estava cheia de gente. É por lá que passam os desfiles de Carnaval. As Escolas (ignoro se aqui têm esse nome também) não são apenas de senhoras - há-as com e de homens, mulheres e crianças de ambos os sexos em todas as combinações possíveis - e estão vestidas. E a música não é samba. Andei por ali um bocadinho mas tive de me vir embora: demasiada gente, demasiado barulho e ainda por cima com a burra pela mão.

Pedalei muito e acabei perto de onde começara: no Gibson, onde há dias me encontrei com B. e onde a wifi funciona, o aquecimento também e as miúdas são giras.

Só estive uma vez exposto directamente ao Samba carnavalesco. Foi no Rio de Janeiro em 1976. Tinha saído sozinho e fui a uma escola da qual me tinham falado. Nessa altura ser português no Brasil dava um handicap positivo e a senhora que estava ao meu lado no bar meteu conversa comigo quando me ouviu pedir qualquer coisa para beber.

Falei com ela um bocado e fui dar uma volta. O Carnaval não estava longe e havia uma certa azáfama. Só quando regressei ao bar e à companhia da senhora me apercebi que ela estava a dançar da cintura para baixo. Da cintura para cima mal se mexia, mas os pés e as pernas pareciam pertencer a outro corpo.

Fora esse dia o Carnaval não me entusiasma. Aos desfiles de hoje reconheço um lado bon enfant, mas agora é tarde para me seduzir.

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A constipação passeou pela cidade e agradeceu-me piorando. Vivi vinte anos na Suíça e nem assim aprendi a conviver com o frio.

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Os maiorquinos conseguem a rara conjugação de simpatia e gentileza com altivez, nobreza e dignidade.

A minha ideia de que poderia viver aqui ficou um bocadinho abalada com este frio; mas pouco. Questão de roupa, como dizia o outro.

E de aspirinas, digo eu agora que não tenho nenhuma à mão.

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Chá forte, quente, sem açúcar, com rum e limão. É a coisa mais perto da aspirina que conheço.

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Consegui finalmente levar M. - e levar-me - à Casa Júlio, "mini restaurante". Uma grande casa e o resto é conversa.