30.6.16

Diário de Bordos - Lisboa, 30-06-2016

Ontem fui à inauguração do MAAT. A julgar pelos fotógrafos, cameramen e semelhante a fauna presente era do topo da pirâmide. Reconheci um antigo político, um senhor cujo grande mérito foi ter instituído uma taxa sobre o equipamento electrónico.

Havia quatro exposições, todas elas bastante boas - sei que uma mostra é boa quando está cheia de peças de que não gosto e mesmo assim lhes reconheço o valor -; mas a minha favorita foi Lightopia, cujo tema é a iluminação. Vasta, pedagógica, com um leque bastante alargado de subtemas. As outras têm aquela estranha característica da arte moderna: fazem coabitar lado lado a lado coisas totalmente desinteressantes com peças bonitas ou estimulantes ou os dois. Li recentemente uma entrevista do senhor que vai dirigir o museu e esta visita confirma o que então pensei: o homem sabe do que faz.

Tal como se confirma a minha indiferença face ao "topo da pirâmide". Um gajo vale pelo que sabe, não pelo nome que tem, o cargo que ocupa, a massa que tem no banco ou qualquer outro critério. A hierarquia do saber é a única que respeito. As outras são ar quente.

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Porcaria do Ménière não me larga. A continuar assim logo não poderei sair de casa. A doença mete nojo, é desprezível, uma traição. Ontem acordei assim e fui melhorando ao longo do dia. Espero que hoje aconteça o mesmo.

De momento faço como se tudo não passasse de uma ilusão. Ou melhor: tento fazer.