21.7.16

Diário de Bordos - Denia, Alicante, Espanha, 21-07-2016 / II

Da única coisa que me enche literalmente a cabeça não quero falar; quero que se foda. Do resto não sei. É tanto e tão pouco que hesito: se do tanto falo é de mais, se do pouco não tenho de quê.

Amanhã largamos para Cambrils, um sítio onde nunca estive. Os lemes estão exactamente como estavam quando aqui chegámos, de modo vai ser mais um dia de governo "à máquina". Na verdade ao fim de pouco tempo é quase a mesma coisa. Só exige mais atenção. As previsões meteorológicas são boas sem serem excelentes. Ou seja: que se lixe.

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E que se lixe o resto também. Quando fizer as contas destes dias vou lembrar-me dos dias bons que foram. O resto esquecerei.

Já esqueci: não tenho sequer de que falar...

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Trabalho muito e gosto do que faço: quase não é trabalho; sei que é porque posso fazer coisas que não posso quando não trabalho, como vir comer ao restaurante ou sonhar com um chapéu. Era lindo. Não tive coragem suficiente para o comprar. Amanhã largamos às cinco e meia da manhã: já disse adeus ao chapéu, uma Panamá lindo como há muito tempo não via.

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Acabei a jantar no interior de uma cervejaria artesanal, para pder carregar o computador. Os espanhóis têm uma relação arcaica, fundamentalista com o wifi.  Vêem-no como uma invasão da modernidade, uma agressão, um ataque aos valores da hispanidade. Fiz metade da cidade para encontrar um sítio onde comer e aceder à net simultaneamente.

Ainda bem. Não me lembrava de que é tão bonita.

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Noite curta, de novo. Já queria estar deitado e ainda por aqui estou a debitar disparates. Como reagirá a carcaça à sedentarização? Agradecer-me-á ou antes pelo contrário, como receio, cuspir-me-á em cima com desprezo?

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Enfim, há que definir sedentarização.

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Para informação: a cervejaria chama-se El Convent e faz uma cerveja digna do nome. Fica na Plaza del Convent, 6.