21.7.16

Diário de Bordos - Denia, Alicante, Espanha, 21-07-2016

Trinta e três graus não são, de per se, muitos graus. Acoplados (estranha, a facilidade com que a temperatura arranja parceiros de cama, não é?) a este cansaço, a quase uma semana de trabalho ininterrupto (e com horas que fariam um sindicalista corar de vergonha), a uma séria quantidade de dúvidas existenciais sobre o futuro e, por último mas não por menos ao filho da puta são como um daqueles cilindros que se utilizam na pavimentação de ruas e estradas: cilindram.

Bebi um rum para tentar engrossar a máquina, mas acho que tudo o que consegui foi dar-lhe combustível.

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Tenho de aqui deixar bem clara e explícita uma lauda ao armador e respectivos convidados. Encontrar quem restaure o meu ontológico pessimismo na humanidade é pouco frequente, mas não raro; encontrar um armador que consiga esse prodígio não é sequer raro: acontece a um ritmo geológico, do género uma vez todos os quinhentos milhões de anos.

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Ecco! Amanhã Sitges. Perdemos um dia aqui para nada.

Enfim, não. Encontrei um péssimo restaurante. É tão raro que merece menção.