1.7.16

Doggy bag

Alguns dos poemas que voltaram para casa sem ser lidos:

"Ao gozo segue a dor, e o gozo a esta.
Ora o vinho bebemos porque é festa,
Ora o vinho bebemos porque há dor.
Mas de um e de outro vinho nada resta".

(Fernando Pessoa, in Poemas de Fernando Pessoa, Rubaiyat, ed. Imprensa Nacional)

"Já que estás em liberdade condicional estes dois dias bebe vinho puro.
Aproveita esta vida de dois dias que nunca mais verás.
Bem sabes que o mundo corre para a sua ruína.
Corre tu também, noite e dia com o vinho para a tua".

Omar Khayyam, Rubaiyat, ed. Babel (a tradução é minha e de corrida para a ruína)

"Eu sou o vento que sopra à flor do mar,
sou vaga do mar,
o bramido do mar.
Sou o boi das sete lutas,
ave de rapina sobrevoando as falésias,
e dardo solar.
Eu sou o que navega, o inteligente,
Javali sangrento.
Lago na planície violenta.
Sou palavra de ciência.
Espada viva abrindo a noz das armaduras.
Eu sou o deus que implanta o fogo na cabeça,
e espalha a luz pelas montanhas,
e que anuncia as idades lunares,
e ensina ao sol onde morrer."

O Mistério de Ameigen, (Irlanda), trad. de Herberto Hélder, in O Bebedor Nocturno (Poesia Toda, ed. Assírio & Alvim, 1990)

E mais alguns.

Gosto de fronteiras. Se não houvesse fronteiras estaríamos sempre no mesmo sítio.