11.8.16

Diário de Bordos - Praia da Rocha, Algarve, Portugal, 11-08-2016

De incêndios só conheço os metafóricos, aqueles que chamuscam por dentro e levam anos a apagar, aqueles de quem uma vez disse "por favor não ateies incêndios que não podes apagar" (não serviu de nada, claro, nunca servem essas súplicas porque nao dependem das pessoas, dependem de coisas que não controlamos, ninguém controla e não há bombeiros, apagam-se por combustão de todo o material combustível), aqueles que nascem de um acaso ou de um plano, de manhã ou à tarde ou à noite, premeditados ou não, aqueles que quando são bons todos os dias reacendemos e agradecemos e damos graças a quem no-los ateou.

Desses percebo e sobre eles por vezes até dou palpites. Dos outros percebo tanto como de futebol e tão pouco palpito. Enfim, perceberia se se pudessem perceber; não podem. Finjo que percebo e dou graças. E vivo-os, que já é mais do que muitos esperam deles.

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A Praia da Rocha para os matinais é um inferno; menos, verdade seja dita, do que Palma de Mallorca, mas inferno. E não peço muito: que tenha wifi (isto é fácil, abençoado país), uma tomada para o computador, esteja limpo e não seja frequentado por todos os bêbedos num raio de cinquenta quilómetros, pelas caixeiras e empregadas de mesa que querem ser admiradas a dobrar por esses bêbedos, tenha pão decente para as torradas e pouco mais.

Quesitos esses que o café Trolls reúne desde as sete da manhã, pelo que é provável que me torne cliente habitual, apesar do nome. (Um bocadinho pleonástico, não é, eu ir ao Trolls?)

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Tal como a "Europa" devia ter várias velocidades assim o tempo, para certas pessoas - normalmente, vá lá saber-se porquê, do sexo feminino - devia andar a ritmos diferentes.

A jovem senhora que me serve imperiais quando volto do "mar", por exemplo, não perderia nada se envelhecesse um ano por semana (desde que eu o fizesse a um ritmo mais lento, um ano por século, por exemplo).

Não que seja invejoso ou esteja eivado de maus sentimentos. Mas porque ele há coisas que requerem uma certa idade, digamos; experiência; sabedoria, até, para serem devidamente apreciadas.

(Este post é sobre estética. Nada de o confundir com lascívia por favor).

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Os meus padrões de sono não são os ideais para uma camarata, mas como no Villarade estas são pequenas só chateio um vizinho.