17.9.16

A bicyclette

Hoje fui a Alfragide na minha bicicleta Vitus Turbo (não é alcunha mas podia ser).

Se o Buda tivesse uma Vitus o conceito de desapego não existiria.

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Para além das teológicas andar de bicicleta tem vantagens noutras áreas. Oníricas, por exemplo. Hoje vi dois polícias em frente de uma embaixada. No passeio alguns vinte automóveis em dupla fila. Automóveis em dupla fila num passeio (parece que é habitual naquela avenida. Por causa de um colégio e de embaixadas).

Sonho com um mundo sem espaço para peões, carrinhos ou cadeiras de todas. Um mundo motorizado. "Vamos dar uma volta a pé?" "A pé??? Estás louco? Vai buscar o Mercedes. Ontem fomos no Audi. E na volta deixas-me no ginásio".

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Outra grande vantagem da bicicleta: faz-nos tomar contacto com os automobilistas - são muitos mais do que se deduziria pela mera observação das nossas ruas - que não passam com sinais encarnados, não entopem cruzamentos, não estacionam em cima de passeios ou de passadeiras. Enfim, automobilistas que cumprem escrupulosamente todas as regras de trânsito e de civismo.

São imensos, muitos. Mal nos vêem a andar em contra-mão ou a passar uma passadeira sem desmontar ou a fazer qualquer destas coisas eles manifestam-se. Eles cumprem escrupulosamente todas as regras e nós, ciclistas anarquicos não? Vá de se darem a conhecer, civil e educadamente com uma buzinadela, um grito ou um gesto.

Pena é não haver mais desses automobilistas, cumpridores e educados.