17.9.16

Diário de Bordos - Lisboa, Portugal, 17-09-2016

Para já é preciso começar por dizer que o balcão da Portugália está cheio, o que é bom. E continuar não ignorando o facto de que noventa e nove vírgula nove por cento dos clientes são iguais a mim: velhos gordos e feios (e agora a única senhora vai-se embora, pelo que a percentagem de velhos gordos sobe para cem por cento).

Quase. Há mais duas. Não importa. Importante é reconhecer que a imperial está muito boa, sinal seguro de forte tiragem.

Sinal igualmente seguro de um bom fim de bom sábado,  coincidência feliz s'il en est, como diria o Asterix se por aqui andasse.

Não anda. Só potenciais Obelixes, grupo do qual me excluo desde já porque não sei caçar javalis, apesar se ser animal que muito aprecio no prato.

E já passei uma noite a caçá-los, pendurado numa árvore na Haute Savoie numa noite de inverno. Apanhei uma valente e memorável bebedeira, vá lá. Não perdi tudo. No dia seguinte a neve por baixo da árvore onde eu tinha passado a noite estava cheia de pegadas de javali.

A aguardente caseira - e excepcionalmente boa - é uma grande aliada dos gajos que são contra a caça. PAN, aqui fica a ideia: obrigar cada caçador a levar um litro de aguardente caseira  (se for francesa chama-se marc).

Morreriam talvez meia dúzia de caçadores mas salvar-se-iam dezenas de animais.

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Bom, resta que um chilli con carne sem chillies - nem um pimento levou! - não é bem bem um chilli con carne. Mas tão pouco é um guisado. Fica assim a meio caminho e aposto que há muitos soi disant chillies (estou com a cabeca na Savóia, é assim que se diz Savoie?)

Foi o almoço de hoje é vai fazer parte da ementa fixa da Carta, uma porta que se abre e tem uma vista soberba para o futuro. Em breve num Santos perto de si.

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E disto depois e de tudo ficam milhares de coisas por dizer: não serei eu quem as dirá. Elas que se digam a si próprias que já são grandes. Nada posso se não correr atrás delas (as coisas por dizer) e pedir-lhes que fiquem um bocado mais, não se zanguem comigo. Ou então mandá-las para o raio que as parta. É o que merecem, as coisas por dizer aqui entre nós seja dito.