17.9.16

Se não rebento

Quero dizer. Isto é : não sei se quero. Tenho. Tenho de dizer. É preciso dizer que. Um piano bem tocado é uma porta, ponte, espada (como em "não morras já / que tenho uma espada /que mata com mais amor" - Ou isto ou quase isto). Um piano bem tocado acompanhado por uma bateria e uma guitarra-baixo. Uma ponte uma porta uma porra. Uma porra, este enchimento de merdas que vêm do piano bem tocado. Enche-me o peito e a mona, uma merda sou eu que vos digo. Não as palavras. Eu. O pianista chama-se Emílio Robalo. Os outros não sei. Não ouvi. Isto é. Podia ter ouvido mas não ouvi. É o piano muito fluído, subtil, fode fininho mas no bom sentido, quero dizer. Não quero. Tenho.

Tudo isto na Fábrica do Braço de Prata. Sou o único velho gordo careca surdo e feio e as miúdas giras são aos montes, quase todas e a música é boa, muito boa. Há bocadinho tocaram um tema do Chick Corea, imagine-se. O sacana do Robalo toca bem, muito concentrado, muito pince sans rire, como se não fosse nada com ele, estivesse ali por acaso, "aprendi a tocar piano ontem, deixam-me tocar um bocadinho por favor?"

Vai muito bem com a sala, cheia de livros (alguns baratos) e com o Bayley's com Jameson que bebo e agora vem o Georgia, entrou uma cantora seja Deus (com maiúscula) louvado. Tenho de dizer.

Se não rebento.