30.10.16

Adenda - 28-10-2016

Quem me veio trazer à marina foi Lee, um albanês que viveu dois anos e meio em Genève antes de vir morar para os EUA . Tinha sete anos quando cá chegou. É o rapaz das entregas no italiano onde fui jantar. A comida era péssima mas as pessoas todas de uma simpatia inexcedível .

Lee ouviu-me chamar o táxi , viu o tempo que esperei, ouviu-me ligar de novo para a empresa de táxis e ser corrido a música. Houve ali uma troca de piadas sobre quem é que me vinha trazer e Lee acabou por se chegar à frente e dizer-me "vamos. O meu carro está um bocado desarrumado. Não te importas?" "Claro que não" e pronto, estou a bordo, com um insuportável cheiro a verniz, os cabos a ranger como se não tivessem sido feitos precisamente para o que estão a fazer e uma vontade de dormir que nem a perspectiva de continuar o Yourcenar que estou a ler consegue superar.

Lee vai à Albânia todos os anos no Verão. Pergunto-lhe como está aquilo é responde "a mesma merda de sempre. E tudo muito bonito mas não há dinheiro ". "Como Portugal". "Como a Europa toda. A Europa está fodida. Não há dinheiro".