9.11.16

Diário de Bordos - Riviera Beach Marina, Flórida, EUA, 08-11-2016

Cheguei a Lisboa há mais ou menos seis meses. Vinha de Cabo San Lucas, de uma viagem horrível, decidido a mudar de vida. Ao princípio tudo correu bem, demasiado bem. Foi em Setembro que as coisas se complicaram. Depois ficaram bem outra vez; depois mal; depois bem; mal; bem; mal... a série parece não ter fim e oscila entre estes dois pólos, não como um pêndulo que passaria por todos os pontos intermédios, mas como dois gatos de Schrödinger assanhados, vivos e mortos ao mesmo tempo, sem estados intermédios. Ou três, ou quatro gatos, como os Vietnam do outro.

Estou exausto. Começo finalmente a ver uma luz ao fundo do túnel. Ainda é pequena e tremelica, mas é luz. Estou exausto.

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Ontem fui jantar com a N. S., uma das poucas pessoas que admiro realmente. Veio a Miami fazer uma palestra sobre a sua experiência. N. é alemã; era responsável pelo marketing de uma dessas empresas do Mittelstand. Um dia comprou barco no Panamá que estava num estado mil vezes pior do que lhe tinha sido dito. Reparou-o todo, ela própria porque não tinha dinheiro para pagar a quem lhe fizesse o trabalho.

Somos amigos. Há três mulheres no mundo que amo de amor amigo, de amor amado. N. é uma delas. Com ela um dos gatos está vivo.

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Trump está à frente. Ainda é muito cedo, claro e estes resultados não querem dizer muito.

Enfim, dizem: há milhões de americanos mais saloios do que o mais saloio dos portugueses.