15.11.16

Diário de Bordos - West Palm Beach, Flórida, EUA, 14-11-2016

O Google Earth diz-me que andei seis quilómetros. Eu que andei uma vida ou duas. Não sei qual de nós terá razão. As vidas não se medem aos passos. Acabei no Clematis Pizza a comer uma lasanha no limite do suportável e no Subculture a beber um café demasiado curto para ser bom. E sem pires, ainda por cima. Detesto que me sirvam o café numa chávena sem um. Não o faço em casa, como gostar que mo façam num sítio onde pago três dólares por um expresso?

Enfim, verdade seja dita: não pago três dólares pelo café. Pago talvez um e meio. O resto é o hype: a boa música, as miúdas giras, as pessoas agarradas cada uma ao seu computador (Apple, esmagadoramente), o professor que à minha frente corrige provas.

E pago também uma desculpa para não ir de autocarro para a marina. Acabo de o perder. Agora só táxi.

Parecem os de Lisboa: cheiram mal, roubam, são mal-criados. Qualquer dia tenho uma conta da Uber, não tarda.

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Seis quilómetros  em hora e meia. Não admira que tenha gostado tanto do passeio.

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A cidade é horrível. Ou há eixos principais com cinco faixas de rodagem, passagens de peões de vinte em vinte quilómetros (e nas quais a luz fica verde vinte milisegundos) ou ruas residenciais, sem iluminação para além da luz dos alpendres das casas que as ladeiam, todas iguais e sem o menor interesse.

Hora e meia de marcha que me puseram as ideias quase no lugar. Têm sido difíceis, os dias. Chatos, destrutivos, longos. Ainda bem que não trouxe a bicicleta, como tinha pensado fazer. Era de andar que estava necessitado.

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Infelizmente já não posso dizer que o clima me é indiferente nas escolhas de vida. Não é. Morro de vontade de conhecer melhor a Escócia, de a conhecer a fundo. Cinco meses.

Mas depois vem-me à memória aquele dia de princípios de Agosto em que sa´í do avião em Inverness e a temperatura era de nove graus centígrados. Nove. Dia poucos de Agosto. Faz pensar, não faz?