26.11.16

Diário de Bordos - West Palm Beach, Flórida, EUA, 25-11-2016

Esperar é um horror; e quando da nossa espera dependem outras esperas pior ainda. Não posso fazer nada: é como estar no meio de uma calmaria da qual só sairei quando entrar vento. Não posso fazer nada.

Excepto pedalar, claro. Farto-me de pedalar por esses passeios fora (o sítio habitual para as bicicletas aqui é o passeio, o que calha bem porque a) nunca têm ninguém e b) são largos e bem pavimentados. Infelizmente são também uma seca sem qualquer espécie de interesse, mas isso fica para depois ou já vem de antes, não sei).

Seja como for pedalo. Mais de vinte quilómetros por dia, na burra de montanha de bordo (outra seca: dupla suspensão e guiador com um metro de largura. Paciência. Mais vale isto do que nada).

As ruas são chatas, monótonas, intermináveis e vazias como a cabeça de uma mulher burra ou um homem sem amor.

En attendant, j'attends. Horror dos horrores, desespero dos desesperos.

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A espera é um buraco negro: aspira tudo o que lhe passa perto. De que falar, quando se espera?

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Jogo ao gato e ao rato com a solidão; quem ganha?

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Quarenta e um anos. O vinte e cinco de Novembro foi há quarenta e um anos. Não sei o que pensar: acabou um circo, mas o circo não acabou. Continua cheio de palhaços.