10.2.17

Diário de Bordos - Genève, Suíça, 10-02-2017

"Il ne sert à rien de viellir si on n'évolue pas", diz uma senhora quase velhinha na mesa à frente da minha, olhar e sorriso pétillants. Eu teria dito "si l'on n´évolue pas", mas sou mais jovem, mais pedante e mais estrangeiro do que a senhora, que me deixou pensativo para o resto da tarde.

Estava no stand do Domaine de la Devinière a beber um copo de Pinot Gris. Hoje é dia de feira (alimentar) em Plainpalais. Terças, sextas e domingos. Às quartas, sábados e primeiro domingo de cada mês é dia de brocante. As mesas são corridas, dão para quatro pessoas de cada lado (é um standard).

Deixei a mochila e o chapéu em cima da mesa.

Fui, naturalmente, admoestado por um senhor que me ensinou, antipaticamente, que a mesa não era minha e podia haver mais pessoas a querer sentar-se e que a mochila não tinha nada que estar em cima da mesa. Ao que eu respondi "Que tragédia!" e tirei a mochila e o "lugar" estava vago outra vez.

Depois chegaram os amigos dele. Um deles com queijo cortado aos bocados, um embrulho que abriu e pôs em cima da mesa.

Depois ofereceu-me um bocado de queijo, explicando que "é o melhor queijo do mundo. Gruyère vinte e quatro meses". E explicou-me ainda como reconhecer a qualidade de um Gruyère (tem de partir-se de uma só vez).

Isto dava um mini-documentário sobre Genève.

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Hoje o jantar é choucroute. Comprei da verdadeira, aquela que tem de cozer três horas e enche a casa de um cheiro que seria horrível se não fosse choucroute.

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Os meus co-clientes do stand de la Devinière (vinhos biológicos. O Pinot Gris é simplesmente sublime) têm todos mais ou menos a idade da senhora que quer evoluir e envelhecer ao mesmo tempo (admirável objectivo, diga-se de passagem).

Quem é que uma vez mencionou "ces visages taillés à la hâche" referindo-se aos suíços?

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Apéro na Livresse. Este nome dá vontade de recomeçar a escrever em francês.