13.4.17

Diário de Bordos - Marina Bas-du-Fort, Guadeloupe, Antilhas Francesas, 13-04-2017 / II

É mais ou menos impossível esconder que gosto disto, não é? Julie B., que conheci vai para quase meia dúzia de anos em Antigua dizia-me ontem "Deixar o mar? Viver em terra não tem piada nenhuma". Ela sabe: tentou e falhou. Está embarcada outra vez. É um desafio, extirpar a banalidade da banalidade. Ou então torná-la amável, interessante, sedutora, bonita.

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Fui ao médico. Se ir ao médico fosse assim eu iria muito mais vezes: a médica é a directora da agência. Ou seja, as consultas - foram duas, uma para a minha gripe e outra para a farmácia de bordo - foram precedidas de uma conversa sobre os papéis do barco e seguidas de outra sobre o material de segurança. A senhora é doce e simpática; o escritório cum consultório (hoje. Ela trabalha a tempo parcial num lar. "Assim não tenho pacientes à minha espera", explica) é igual ao de todas as agências de charter do mundo: pequeno e atafulhado de coisas de barcos, papéis, t-shirts, uma bicicleta dobrável, sacos de peças e por aí fora. Deve ter sido a melhor consulta médica dos últimos anos.

Daqui a três dias estarei bom. Tenho antibióticos, remédios para a tosse e para a rouquidão; e uma farmácia de bordo consequente.

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A tripulação concordou em não pararmos nos Açores. Vamos daqui directos para La Linea. Quero chegar depressa a Atenas e depois a Genève e depois a Lisboa, onde reverei o C. e a A., amigos de S. Luis e de sempre.

Quem falou em banalidade?

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