9.4.17

Promessa

Senhor doutor Juiz. Deixe-me por favor apresentar a minha defesa. Derivado a algumas más escolhas mai-lo azar não tenho dinheiro para advogados. É verdade que dei um fletibaite à Maria. Ou dois, sim. Mas senhor doutor Juiz, temos de considerar também o outro lado da questão. A mulher, salvo seja, com todo o respeito, senhor doutor não me deixa fazer-lhe conilínguas. A mim, senhor doutor, que já em novo era conhecido como o Rei da Trombeta lá no bairro. Enfim, da trompete, mas eu não gosto de palavras em estrangeiro e zangava-me e eles mudaram para trombeta. Quem é que ela pensa que é,  para não gostar de conilinguas? É que depois usa isso para não me fazer a mesma coisa a mim, senhor doutor. Enfim, quero dizer?, o equivalente mas a mim, o senhor doutor Juiz compreende. Depois é outra coisa: a minha Maria - que eu gosto dela, senhor doutor,  isto um fletibaite ou dois não quer dizer que um homem não gosta da mulher, é só que às vezes não sei. Dizia eu: a minha Maria só me apresenta as amigas dela que são casadas ou já têm homem. Das outras nem uma. Diz que não lhes quer apresentar o Rei. Ó senhor doutor, então isto faz-se? Olhe - ah, sim , desculpe - . Dizia eu: ela estava a mangar comigo e isso um homem não pode deixar,  Senhor doutor. Uma mulher deve respeitar o marido. Ele é as conilinguas, as amigas, gozar com a minha alcunha...

Eu peço a Vosselência que me perdoe e compreenda. Eu prometo que se ela voltar para mim e deixar-me exercer as minhas competências e não gozar comigo à frente das amigas eu páro com os fletibaites, senhor doutor. Prometo.

É só ela voltar para mim, senhor doutor Juiz, que sem ela eu até parece que estou sozinho.