21.5.17

Diário de Bordos - La Línea, Andaluzia, Espanha, 21-05-2017

Não é que seja grande fã de comprimidos,  sejam eles quais forem. Tomo-os quando tenho uma pistola apontada à cabeça,  mais ou menos. Mas tão-pouco sou cego e é impossível não ver a) as vantagem dos duas pílulas diárias que tomo na luta contra a taxa de coiso no coiso e b) que dois comprimidos são insuficientes desde que há licor de Hierbas no horizonte  (enfim, num copo à minha frente, com uma pedra de gelo, por favor).

É possível que tenha de começar a tomar três comprimidos diariamente, se bem não desejável. A ver, como dizia o ceguinho. Por enquanto mantem-se tudo assim como vai. Se for preciso guinar guina-se. Se não estaestragado não reparem e antes de ter a certeza de que está estragado pensa duas vezes.

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La Linea de la Conception é um buraco negro. Entra-se aqui e já não se sai, nunca mais.

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Descubro com insondável gozo um autor polaco do qual nunca tinha ouvido falar: Marek Hłasko. (Não sei como se pronuncia o ł, mas estou grato ao meu telefone por o ter). O livro que estou a ler chama-se Matar a outro perro (comprei-o em Espanha) e há muito tempo que não lia diálogos tão bons, eficazes, verdadeiros, capazes simultaneamente de soar verosímeis e conduzir a história.

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Talvez consiga sair esta noite. Dou um prémio ao diabo, se mudar o vento. Troco um Levante por dois Ponientes. (Isto é bluff. Troco um Levante por uma sombra de Poniente).

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Ainda para mais sabendo que daqui a dois dias estou de novo parado por causa da merda do tempo de merda.

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Parece-me que um Verão em Genève não será a pior escolha. Pelo menos não há vento de todo.