7.6.17

Diário de Bordos - Atenas, Grécia, 07-06-2017

Uma característica curiosa das mulheres gregas - pelo menos as de Atenas, que são as únicas que vi em quantidade estatística - é serem todas extremamente simpáticas, bonitas e terem menos de trinta anos. Salvo raras e honrosas excepções, claro.

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Uma das quais é a recepcionista da espelunca onde vou dormir esta noite. Quando a vi pensei que o Booking.com me tinha enganado e estava num bordel, mas não estou. O wifi não chega ao quarto, que a senhora descreveu como sendo "very nice". Se aquilo é very nice eu sou o Onassis. Entre mim e o Onassis vai a mesma distância do que entre um quarto decente (let alone "very nice") e o quarto número doze do Alyzia Hotel. Escolhi-o por causa do nome - Alyzia deve querer dizer Alísios, não -?

Claro que uma pessoa poderia perguntar-me "mas porque vais tu dormir a uma espelunca se podes, excepcional e optimisticamente dormir num hotel?" A resposta a essa pergunta é simples, se bem se componha de várias partes: a) Os hotéis normais não se chamam Alyzia; b) Nem todos os hábitos adquiridos são funestos. Convém não os perder em grupo e de uma vez só; c) já me aconteceu dormir em sítios normais pelo mesmo preço; d) porque me estou nas tintas; e) porque prefiro gastar a diferença de preço num conjunto sequencial de copos de ouzo (ou de vinho branco), acompanhados por uma soberba salada de beringela fumada e um prato de tsalafouti; f) porque foi o que me saiu na rifa; g) porque me apetece ajudar o dinheiro a gastar-se e não o deixar ir-se sozinho; h) porque me estou nas tintas (bis).

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Vim parar a um antro de turistas. Espero que haja em Atenas um movimento anti-turistas igual ao que há em Lisboa. Enfim, "há".

Ainda não ouvi o rapaz falar grego com um único cliente.

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Não dei ser curioso verificar que por muito chata que a viagem tenha sido - e esta foi - há sempre uma pontinha de melancolia na ideia de que se vai deixar o bote que nos trouxe até onde estamos.

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O rapaz do bar - quase tão bonito e tão jovem como a rapariga - não sabe quem é Nena Venetsanous. Depois pergunta-me se sou grego - não falo uma palavra - e faz ao mesmo tempo um gesto a explicar "grego nascido no estrangeiro".

Aí apetece-me dizer que sim.

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Como sou um gajo cheio de sorte - não sendo o único, claro - E., o agente ou armador do S/Y C. R., ainda não percebi bem - teve ontem o segundo filho. Enfim, foi pai pela segunda vez ontem à noite. Quem teve o filho foi a mulher dele.

Ou seja: não consigo completar a merda da entrega até amanhã, data que tinha previsto dedicar à visita da Acrópole e outros museus.

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Tal como há senhores velhotes, de cabelo branco que atam os cabelos em rabo-de-cavalo et simili, há senhoras de idade superior à das mulheres de Atenas (contenhamo-nos) que insistem em usar vestidos com um longo decote e metade das mamas à vista.

Sacos de café e brancos. Questão interessante para os apreciadores de chocolate, suponho. Para mim é simplesmente desgostante (contenhamo-nos).