7.12.17

O post ia ser uma coisa e acabou por ser outra

O post ia ser sobre amores, dores, rios, marés, Luas, meia dúzia de nuvens... Merda. Farto de rios e de amores lunáticos, de nuvens que choram as dores em chuvas diluvianas e de céus cinzentos indiferentes às marés. Quero vida. Mulheres ruivas resistentes aos químicos, pratos demasiado cheios nos restaurantes, taxistas que páram para me deixar passar na bicicleta sem que eu me tenha atirado para debaixo dos pneus ou contra a grelha do radiador. Quero ruas cheias de buracos, a ideia de que ao longo do tempo só o acessório muda e nada do essencial mas esse acessório vai evoluindo e não tarda deixa de se distinguir do que é importante.

"Uma simples mutação genética" na molécula do acessório é quanto basta. As mutações genéticas mais complicadas - por exemplo, as que fossem capazes de fazer de mim um gajo cheio de massa - demoram muito tempo e requerem um monte de acessórios - o menor dos quais não será certamente um ventre pronto a gerá-las, organizá-las e finalmente pari-las.

"Tudo isto porque" há dois tipos de evolução genética: para melhor (por exemplo, as que produzem mulheres ruivas) e para pior (as que mantêm o que existe). Ainda está por descobrir uma "simples mutação genética" radical, que faça da merda ouro em pepitas, notas de quinhentos euros ou de mim um gajo sensível ao zeitgeist.

Aí está: o post afastou-se tranquilamente da sua origem e agora a ela regressa como se nada no meio se tivesse passado.