2.12.17

Razoabilidade e Kavafys num só post e todos sabemos quão imiscíveis são

Há bocadinho entrei numa livraria - uma das minhas favoritas em Lisboa, chama-se muito apropriadamente [segue-se o nome] e é daquelas que dá vontade de comprar todos os livros mai-las estantes - e saí sem comprar livro algum, zero, nix oberlix, apesar de terem acabado de receber (acabado: os livros ainda não tinham o preço marcado) uma nova edição da obra completa ou quase completa do Kavafys numa nova tradução. O livro custava [segue-se o preço] e não o comprei.

[A esta hora a livraria já fechou, seja Deus louvado.]

Estou a comer uma bifana no [segue-se o nome]  e pergunto-me se não devia trocá-la por meio Kavafys, meio. A resposta é não, claro. Não tarda poderei comprar o Kavafys todo mais metade de outro qualquer. Mas porra! Porra! Porra! Ser razoável é uma praga, uma sarna, peste bubónica, é pior do que ser coxo e cego, pior do que não ter mulher nem filhos, pior do que não ser selectivamente surdo e ser obrigado a ouvir tudo o que se passa à nossa volta, pior do ter frio à noite ou ter de andar de autocarro sem comprar bilhete.

(Para o V., e para a A. I., com um abraço e um beijo, respectivamente, ambos gratos e agradecidos e tudo.)