19.1.18

Generosidade, oxalá

Não me posso queixar da generosidade; não é aquele rio de sentido único contra o qual me prevenia a minha Avó e a verdade é que as minhas travessias de desertos, por horríveis que sejam - são piores, cada vez piores - só têm sido possíveis devido à generosidade de duas ou três pessoas (a quem de resto deixo aqui um obrigado! do tamanho de todos os desertos do mundo juntos). Mas arrependo-me de ter sido generoso com pessoas de quem não posso esperar nada quando sou eu que estou no lado baixo da mó.

Não é verdade. Não me arrependo. Só assim é generosidade: dar sem esperança de receber em troca. Pensando bem, mais vale ser generoso competente do que emprestador incapaz.

Há pouco pensava que de todos os disfuncionamentos do meu cérebro (são tantos) o pior era a generosidade. Não é, acabei de o ver. Basta um pouco de reflexão. Talvez o prémio deva ser dado à impulsividade, que pensava atenuada e agora vejo - com os óculos de realidade aumentada que a maré vazia traz com ela - que não. Hei-de morrer num impulso e com a cabeça tão vazia como quando nasci. A cabeça e os bolsos.

Inch'Allah.