11.2.18

Em cada página um espelho

Calasso, ainda no ensaio sobre Mallarmé (a propósito, o livro chama-se La Littérature et les Dieux e as traduções são minhas, com tudo o que isso implica): "há um sentimento muito forte e muito antigo, raramente nomeado e reconhecido: o da angústia devida à ausência de ídolos".

Reconhecer-se - ou melhor, ver-se descrito - num livro no qual se pegou quase (quase) por acaso só não é assustador porque no buraco não há razão para se ter medos. Só há lugar para as gratidões (assim mesmo no plural, apesar de não serem todas iguais).