25.2.18

Optimismo, palermice

Hoje morreu um amigo meu. Não o via há bastantes anos, mas foi durante muito tempo um amigo pilar importante do meu círculo próximo. Há dois dias a uma amiga a quem quero para lá de muito foi diagnosticado uma "doença do foro oncológico", que é como se diz filha da putice em eduquês. Ontem arrumei o meu bloco-notas encarnado, apesar de ainda ter páginas brancas. Resolvi começar um outro, mais bonito, oferecido na Sardenha por uma senhora com quem me enganei uns dias, felizmente poucos; uma outra com quem nunca me enganei disse-me que gosta mais de mim quando me rio de mim próprio do que quando me queixo. Eu também, claro. Não gosto de queixar-me, nem a mim quanto mais a um estúpido de um blogue cuja única qualidade é aturar-me os altos e os baixos há mais de catorze anos.

Tudo indica que vou finalmente ter um barco para gerir; as vertigens não me chateiam há quase pouco menos de uma semana; a constipação barra gripe barra merda passou; sobretudo, não perdi a teimosia. No meio deste campo de minas das quais algumas se desarmaram continuo o teimoso optimista que sempre fui.

É irritante tanta teimosia, patética, odiosa nos dias piores e insuportável nos melhores. Um optimista que não desiste não passa de um pessimista que conhece cada monstro de cada esquina e resolveu ir pelo caminho mais longo na vã esperança de os apanhar pelas costas. Vã é a palavra-chave. Vanitas. Cuidado: a arrogância ou se faz pagar muito bem ou se paga muito caro.

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Não escrevo este post para mim: escrevo-o para a P., em Guimarães; para o filho do L. M., para o campo devastado no qual um palerma insiste em ver um raio de luz, para o Hemingway, que escreveu a agora epígrafe, frase lapidar sobre a derrota e a destruição de um homem - homem esse que de repente deixa de ser palerma.