24.3.18

Diário de Bordos - Port d'Andratx, Mallorca, Baleares, Espanha, 24-02-2018

Cheguei a bordo uma hora depois do que queria  - perdi-me à procura da Praça de Espanha, equivalente a perder-me à procura do Rossio ou do Terreiro do Paço - e vinte minutos antes de o badanal começar. Agora está aí. O P. adorna só com o mastro, geme e queixa-se. Nas rajadas o vento chega aos quarenta nós, talvez um pouco mais.

Verifiquei cabos, afastei uma adriça do mastro e por agora fica assim. Se isto não acalmar dentro de uma hora dobro o cabo de barla, ver se durmo um bocadinho.

O barco está todo molhado por dentro só com a chuva. Imagino o que seria no mar.

Merda para o tempo.

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Pelo menos estou no porto, vá lá. Quando havia temporal a minha Mãe fazia-nos rezar pelos marinheiros que estavam no mar. Não sou crente e não rezo, mas parece-me uma boa ideia. Se alguém quiser seguir a sugestão, aqui fica (não me lembro do texto da oração, mas que não seja por isso. Eu não rezo mas penso bastante nos desgraçados que estão lá fora).

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Espero que isto acalme em Abril.

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Merda para o tempo. Porra, isto é um disparate! Está cada vez pior.

Vou dobrar o cabo.

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Dobrei o cabo de ré e cacei o morto de barlavento - sem motor não foi muito - e pus mais uma defensa a sota.

É o pior momento: já não há mais nada a fazer se não esperar, nos dois sentidos do verbo.

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Tenho a impressão de que isto não vai ser noite de grandes sonos.