20.5.18

A flecha do dia

As coisas são como são e não como as queremos, é facto irrefutável. Mas podemos - devemos - imaginá-las diferentes do que são, sem acreditar no que imaginámos. Exercício de equilibrismo, eu sei. Como tudo na vida: equilibristas na corda bamba, sem balancier.

Gosto de imaginar as coisas - todas as coisas, indiferenciadamente, objectos, actos, tempo, tudo - como se fossem aquelas flechas dos desenhos animados que procuram o alvo, hesitam, voltam para trás, sobem e descem até que finalmente chegam onde as queria o senhor (normalmente é um homem) que as atirou.

Hoje o meu dia, por exemplo foi uma flecha dessas atirada em direcção a um alvo que dizia "Ordem e descanso".

Ordem porque ultimamente me sentia como um polvo a perder a coordenação dos tentáculos. Descanso por razões mais ou menos óbvias.

Felizmente a flecha não perdeu muito tempo à procura do alvo. Antes assim. Posso readormecer em paz.