9.5.18

Diário de Bordos - Paguera, Mallorca, Baleares, Espanha, 09-05-2018

Paguera - que, registe-se, é incomensuravelmente preferível a Puerto de Andratx - consiste (para mim e até agora) numa longa rua que num país anglófono se chamaria Main Street e numa praia que não se vê dessa rua. Sei que há mais Paguera por ouvir dizer e porque hoje vim por uma rua paralela à "rua principal". As lojas estavam fechadas - não por causa da hora, mas por manifesta falta de negócio - e tudo aquilo exalava tristeza. Uma rua ao lado era o oposto, excepto na tristeza: montes de gente, movimento, lojas a abarrotar de clientes e de produtos.

Mentiria se dissesse que nunca fui turista. Fui muitas vezes e gostei quase outras tantas. A viagem de Parnaíba para a Guiana Francesa, por exemplo. Espero um dia poder voltar aos Açores com muito dinheiro, muito tempo e nada para fazer excepto ver, ler e usufruir da hospitalidade e simpatia das pessoas; gostava ir à China vindo de Moscovo.

Mas mentiria igualmente se dissesse que percebo o que vêm as pessoas fazer a lugares como este. Faz pensar em Gibraltar sem o charme e as memórias. É só alemães - alguns restaurantes já não se dão sequer ao trabalho de escrever os menus noutras línguas -; é tudo rasca, igual ao mililitro (incluindo as lojas de marcas, que as há).

O problema é que não acredito que os sítios de onde esta gente gorda, feia e taciturna vem sejam piores do que isto.

Mudar? Sim, claro. Mas para Peguera (ou Puerto de Andratx ou Santa Ponsa)?

 ¡No jodas!

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O mastro e a retranca saíram finalmente do convés do P. Estou exausto e feliz, por esta ordem. Amanhã damos o primeiro passo para a quilha e para os machos de fundo e o último para os molinetes. Não tenho muita experiência doutras profissões, mas organizar um refit deve ser das que mais se aproximam da medicina (salvas as devidas proporções, claro está).

Com a vantagem de que depois se pode navegar no paciente.

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E Palma aqui tão perto... O cansaço implica com as distâncias.