28.6.18

Um passo

"Daí a pensar que a culpa foi minha ia um passo que eu não dei. Ando à beira do abismo como à dos cumes: não caio nem levanto voo. Chamavam-me Não-Nem: não vou por aí nem por aqui; não quero nem deixo de querer; não sofro nem me alegro. Limito-me a viver, percebes?, como um faquir numa cama de pregos com uma garrafa de rum: nem se pica nem se embebeda."

A noite seguia tardia e o faquir não se calava, coitado. Deixei-o a falar sozinho no British Bar. Quando aquilo fechasse alguém se encarregaria de o pôr na rua. É que da rua até minha casa vai um passo.