15.8.18

Diário de Bordos - Esporles, Mallorca, Baleares, Espanha, 15-08-2018

Uma daquelas "praias" da Tramuntana, com quilómetros de aspas de um lado e outro. Pedras, água transparente, um chiringuito, mais pedras, arribas, mar, muito mar completamente transparente junto à "praia". Neste chiringuito os preços são aceitáveis, não traumatizam como nos outros e a "praia" é realmente bonita, não é apenas exótica, very typical indeed com as suas garagens para barcos cavadas na rocha, a rampa, os botes muito arrumadinhos e cuidados. "Só falta uma companhia para que isto seja mais do que uma praia bonita", li recentemente num post do FB, cito livremente, metade citação metade paráfrase mas o senido é esse: é a companhia que torna a beleza tridimensional.

O dono do chiringuito não é muito simpático. Deve ser Mallorquin: estas ilhas são lugar de passagem há milhares de anos; as pessoas não são acolhedoras: os estrangeiros vão e vêm, não ficam e deles ja os ilhéus viram muitos. A diferença com os Açores é total, chocante. Aqui começa-se por se desconfiar de um estrangeiro e se calha este decidir que o sítio é bonito e assentar arraiais continua estrangeiro até à terceira geração.

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O chiringuito encheu-se. Chama-se La Punteta e as senhoras que ainda há pouco na "praia" não tinham as partes de cima dos bikinis agora têm-nas e paradoxalmente trocam-nas por outras secas.

As técnicas variam e os resultados também. Algumas são dignas de Mr. Bean e alguns oscilantes, sem jogo de palavras: vão do completamente conseguido às gratas memórias de Bo Derek (enfim, este foi só um caso, mas não se perde nada em ser-se optimista).

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Os meus primeiros contactos, por assim dizer, com o povo alemão foi através dos livros de Heinrich Böll. Não os li todos mas li muitos, desde o Bilhar às Nove e meia até ao extraordinário Pontos de Vista de um Palhaço, Retrato de Grupo, etc. Depois vi os filmes do Fassbinder e contrariamente à opinião geral, ao zeitgeist e aos alemães eles-próprios decidi que era um povo amável (que se pode amar). Mais tarde comecei a ir muitas vezes à Alemanha - admitidamente só a duas cidades, Düsseldorf e Berlin - e apercebi-me de que não deve ser muito diferente da Suíça: só é bom quando se lá chega e quando se de lá sai. Mas a impressão geral ficou: um sítio agradável à vista, um povo trabalhador no qual se pode confiar, mulheres bonitas e com outras qualidades que agora são irrelevantes.

Mallorca põe à prova essa boa vontade. Alguém me diss um dia que as Baleares são o décimo séptimo Länder da Alemanha. Nao sei se aritmeticamente está correcto (agora está, foi corrigido) e se o senhor se referia às Baleares todas ou só a Mallorca.

Só sei que estou farto de ouvir alemão e que de cada vez que o oiço me apetece esganar alguém - normalmente a pessoa que está a falar.

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Vim-me embora do chiringuito e no caminho parei para abastecer com hierbas secas em Esporles, mais um lugar very typical da Tramunana. É fantástico como estes lugares conseguem simultaneamente ser very typical e agradáveis, não são nem travesti nem ersatz, são reais, autênticos. Falta-lhes um Medina & Salgado, sem dúvida.

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