17.8.18

Diário de Bordos - Palma, Mallorca, Baleares, Espanha, 17-08-2018

Dia de re-visitas. Ontem foi a Tasquita, hoje calhou a vez ao Bar Junior. Faz, já aqui o disse, as melhores almôndegas de Palma (ou pelo menos fazia. As do meu almoço sem estarem más estavam ao lado do habitual).

Visto de fora, o Bar Junior é um bar igual a milhares de outros que há por essa cidade, por esse mundo fora. Lá dentro as coisas mudam. A clientela é variada: uma anã vendedora de lotaria, um senhor meio estropiado no mesmo ramo de negócio, uma cigana pedinte no mercado que vem almoçar e traz debaixo do braço o bocado de cartão onde escreveu que precisa de ajuda, um senhor visivelmente muito mais pobre do que a cigana, dois pintores de paredes - ou de outra coisa qualquer, isto é uma dedução - meia dúzia de yachties, um casal velhinho que saía do mercado (mais uma dedução) e eu, pobre skipper longe da casa que não tem e não sabe se um dia virá a ter.

Tive de lá ficar um bom bocado: passei a manhã a pedir orçamentos e a falar com as pessoas a quem os pedia, feliz da vida porque andava na minha bicicleta Órbita Estoril II (que é uma boa merda, de passagem se diga, a que me foi roubada pelos ciganos era muito melhor - a senhora que hoje foi almoçar ao Bar Junior ia a pé, não deve ter estado envolvida nesse roubo -) a burra já estava com saudades de uns passeios pela cidade e eu também mas depois começou a chover copiosamente, por isso tive tempo de estudar bem a clientela e pensar que bem me sinto aqui, apesar de hoje as almôndegas não estarem tão boas como de costume, o sítio é porreiro. U., dona da Sifoneria diz-me que já só há dois assim naquela área e fiquei com curiosidade, quero conhecer o outro.

À tarde não fiz mais nada excepto ir ao Clube de Mar para a regata de clássicos, mas a festa durou pouco por causa da chuva, quando lá cheguei não estava ninguém de maneira fui para a Sifoneria e comprei outro livro (durante a chuva tive de me abrigar à frente da sucursal da Babel no Fórum Caixa e comprei um livro pequeno da Camille Paglia, uma delícia, li o primeiro ensaio antes da sesta, aquilo devia ser estudado naquela treta dos estudos de género, se calhar já é, não sei). No regresso a casa queria queijo mas por engano entrei numa livraria e comprei um livro sobre Trieste, "paradeiro ideal para almas errantes solitárias e para todo aquele que não encontra o seu lugar no mundo", diz (em espanhol, claro) a contra-capa e quem sou eu para resistir a um chamamento destes, eu que há tantas vidas quero conhecer Trieste? Quando ia a sair um senhor - cliente da livraria, como eu - disse-me "Esse livro é excelente. Vai gostar". Palma não é uma cidada amável, mas tem momentos adoráveis, mágicos, infinitos.

De maneira agora tenho três livros à mão, o Auster que enjoa de tão bem escrito, o homem escreve quase tão bem como o Roth, anda lá muito perto, só que o Roth nunca enjoa; a Paglia que é pequenino e este, da Jan Morris que só conhecia de nome, vamos ver se a contra-capa e o meu colega cliente têm razão.

Isto tudo dito espero que a chuva leia o boletim meteorológico e páre amanhã como está previsto, o meu P. está fechado, eu sei, mas quero-o sequinho na segunda-feira quando começarmos a laminar, seco por dentro e por fora, aquele bote tem de ir para a água, coitado, qualquer dia esquece-se de como é estar a nado.

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O Dell vai ser reparado na segunda-feira. Depois do calvário que passei com o serviço técnico da Asus esta viagem ao paraíso dos serviços técnicos parece-me merecida.

Ao mesmo tempo a Musto diz que me vai substituir a mochila. E ainda há quem estranhe a importância que para mim têm o serviço técnico e o apoio ao cliente das marcas.

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