20.9.18

Diário de Bordos - Palma, Mallorca, Baleares, Espanha, 19-09-2018

Das diversas desgraças de se viver em Palma há que dizer uma coisa: todos os dias se encontra uma nova e boa. Ou mais. Hoje, por exemplo, descobri um restaurante óptimo; e no caminho de casa que há não um mas dois restaurantes japoneses, abertos à hora a que regresso e ambos com um sake aceitável (é o mesmo). A minha experiência de sake é reduzida - fiz uma prova múltipla num dos melhores japoneses de San Francisco e dela só me lembro o suficiente para saber que pode ser transcendente e este não é -. Mas tão pouco é péssimo. Não chega, por exemplo, para me impedir de parar num dos dois e beber uma garrafinha de - ou para a -  desgraça.

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O apartamento onde agora vivo - partilhado, devo dizer, com duas jovens, simpáticas e encantadoras senhoras - fica no quarto andar, tal como o anterior. A localização é diferente e é maior, mais amplo. Dá para uma avenida larga e concorrida. A sua característica principal, contudo, é o cheiro a esgoto da entrada. É um cheiro forte, mas felizmente só nos andares de baixo. Como o prédio não tem elevador a transição da zona de cheiro para a de ausência de cheiro faz-se devagar, o que é bom.

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Não ter elevador tem outra vantagem: um gajo pode atribuir, por exemplo, um sake a cada andar. Não serve para nada excepto eventualmente dar vontade de atribuir dois sakes a cada lance de escadas, tentação à qual se deve resistir.

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A minha irmã R. faz hoje sessenta anos, coisa que me traz inelutavelmente à memória que daqui a onze dias faço sessenta e um. A minha entrada na sexagenaridade foi ambígua: começou horrorosamente mal (enfim, sou injusto. Começou mal) e está a decorrer fantasticamente bem (exagero, claro). Tanta descida e subida valem mais um Sake, apesar de não ter mais andares para subir.

Só anos para descer.

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Para além dos dois japoneses (de sushi, só) há um chinês. Será que tem Mei Kuei-Lu? Espero que não, ou acabo a viver num arranha-céus.

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O trabalho no P. arrancou e agora sim, avança. Salvo grandes excepções para a semana está no seu elemento. Foi uma longa e cúrvea estrada, isso foi. Mas só a ideia de que não tarda estarei no mar transforma-a numa auto-estrada deserta como as do Alentejo, ao volante de uma viatura potente. (O P. é uma viatura potente, não tenham dúvidas).

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Serviço Público - Restaurantes Palma de Mallorca:

Champañería, Bar, Fiambrería
A Toque de Queda (quer dizer "Recolher obrigatório", se por acaso)
Carrer de Can Cavalleria, 15 b
Tel.: +34 971 21 38 10 (a esplanada é pequeníssima e convém reservar).

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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.