18.8.19

Cores, infinito

"O azul infinito da Grécia", diz a legenda de uma fotografia daquele país. É uma fotografia turística, nunca se sabe quantas horas de pós-produção aquilo tem. Penso nisso e em todos os azuis infinitos de todos os sitios por onde já passei. O azul é a única cor que suporta o infinito, não é?

Não. Há o amarelo do deserto, mas só o vi uma vez, na Namíbia.  Ou verde da Costa Rica, do Zaire, do Brasil...  Há poucas cores infinitas, na verdade, o azul não é a única, se bem por vezes pense que há mais infinito no azul do que nas outras.

E depois há outra coisa: pode tocar-se o infinito do azul, mas o verde, mal nos aproximamos da floresta deixa de ser verde. Já o amarelo do deserto continua amarelo se for visto de perto. Enfim, pelo menos suponho. Em Lüderitz não se podia sair dos limites da cidade, de maneira só o viquando o sobrevoei, de regresso a Cape Town. Pareceu-me que sobrevoava o mar, um mar pálido, mortal - aquela costa tem um nome tétrico, chama-se costa dos Esqueletos, ou coisa que o valha. Eu próprio vinha de cinco dias de coma num hospital, não voava num estado de espírito muito alegre.

Nunca mais vi o deserto. Uma vez voei de Tânger para Casablanca, mas dormi a viagem toda. O deserto não me atrai  muito. Prefiro o azul do mar, o seu infinito poder hipnotizante.

Já o sono não tem esse poder. Foge come um gato mal educado, ou um cão daqueles que desaparecem e só reaparecem quando lhes apetece, quando têm fome. Ainda há bocadinho fui passear a insónia mas tudo o que consegui foi aperceber-me da sua infinita capacidade de me chatear. Bebi uma cerveja no Antiquari, dei um curto passeio na bicicleta, tentei aliciar o sono como se chama um cão fugitivo.

Por isso penso nas cores, no infinito, em tudo o que mobile estas horas vazias, infinitas.

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