É isso: aprender a ler. Preciso de aprender a ler. Resta saber o quê, que letras, que alfabeto. Conheço o das estrelas, o das nuvens, o das vagas do mar que me trazem notícias de onde vem o vento, qualquer que ele seja. Conheço o alfabeto do teu corpo, de A a Z e de volta a A. Sei ler o Sol - ou melhor, as sombras que ele deixa, porque a luz cega. Não é ela que vemos, é aquilo que ela deixa ou quer que vejamos. Velhaca, a luz. Sei ler o tempo - não o dos relógios mas o outro, o que não se vê nem se ouve e se dá apenas a quem sabe que ele existe. Esse tempo que vejo no teu sorriso, na tua pele, esse tempo que nos leva aos princípios e aos confins e nos ensina que vai e vem, ir e vir são irmãos siameses. Andam sempre juntos, não vai um sem vir o outro.
Sei ler a vida. Só me falta aprender a ler a morte.
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Não prometo responder a todos os comentários, mas prometo que fico grato por todos.